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Como fazer uma mudança

Elementos

 

A fogueira que sobe pro céu
A terra a sustentar o fogo leve e quente. A terra imóvel, carregada pelo vento e dissolvida na água.
Meditativa é a terra. Estamos aterrados!

“A água com areia, brinca na beira do mar, a água passa, a areia fica no lugar”

Ela, molhada, desce com o peso. Esquenta com o fogo e forma ondas com o vento.
Somos rios e mares dentro de nós.

O vento brinca rodando tudo ao seu redor, leve, balança a rede e estamos nela. Passa as páginas do livro da vida e levanta poeira. Excitado pelo fogo do sol, de brisas a  tempestades alisa as árvores.

O fogo balançado pelo vento esquenta a terra, a água e nos dá luz.

Cada lampejo de pensamento é fogo.
Somos água que corre dentro de nós.
Passea o ar dentro de nossas árvores internas.
A terra está em todo o corpo. Cada parte de nós é ela.

Como sentir isso imerso em tantas intempéries que conturbam nossa vista? A atenção passa! Não conseguimos atentar para os elementos dentro de nós porque temos muita informação e uma realidade difusa do lado de fora. Filhos, mães, o celular, trabalho, estradas, carro, prefeitura, lutas, ativismos, cores, distrações reais que podem ser modificadas. Esquecer a vida “comunhada”? Não, mas atentar o básico, o simples na frente de nossos olhos. Nele podemos encontrar respostas para a realidade distraída e complexa.

Cidades democráticas

Cidade Democrática

Respira parque

Como assim, “de saco cheio de pedalar”?

Olha o que a galera da General Motors propôs em uma de suas campanhas publicitárias…

O cúmulo do cúmulo!! Sei não, hein!??! É muita cara de pau.

“Em uma nova campanha publicitária, a frase “Reality sucks” acompanha a foto de um ciclista ao lado de um carro e, dentro dele, uma mulher o observa. Qual “realidade” estaria enchendo o saco? Esqueça o tráfego congestionado que poderia estar travando o carro ou a poluição no ar da cidade.  A moça em questão não parece estar estressada. O ciclista é que está envergonhado. Ao lado, a frase: “Pare de pedalar… comece a dirigir”.

A propaganda, veiculada em jornais de universidades dos Estados Unidos, é da General Motors, uma das maiores montadoras automobilísticas do mundo. Propõe descontos especiais para o público universitário na compra do Chevrolet Sonic 2012 ou do 4×4 GMC Sierra 1500. Os estudantes americanos, no entanto, não se sentiram atraídos pela oferta. O anúncio foi reprovado e acusado de tirar um sarro dos ciclistas ou de quem não tem carro.

Além disso, a propaganda vai contra a tendência de aderir à bike como alternativa de transporte em cidades entupidas por carros, poluição e que sofrem com o aumento das emissões de gases do efeito estufa. (Leia mais na reportagem “Se essa rua fosse minha“).

Desde a divulgação, a GM tem recebido inúmeros mensagens em seus canais de comunicação. Vários sites e blogs se mobilizaram para incentivar mais pessoas a fazer isso. Segundo o jornal Los Angeles Times, um porta-voz da montadora se desculpou, afirmando que o anúncio foi desenvolvido junto a universitários e sua  intenção era ser atrevido e bem-humorado, sem ofender ninguém. Os feedbacks estariam sendo ouvidos e considerados para mudar a campanha. “Nós respeitamos os ciclistas e muitos de nós somos ciclistas” disse Tom Henderson.”

Fonte: Página 22

Caminhando-experimentando-conhecendo

Somos pedestres nascentes! Se prestarmos atenção, nossos primeiros passos foram comemorados pelos nossos pais e torcemos para que filhos, sobrinhos e netos consigam dar seus passinhos rumo a um novo caminho.
O que me deixa feliz, é ver algumas iniciativas como esta, do Matthew Shirts, além do texto intitulado “O inconformismo topográfico”, que colore bastante esse retorno ao “esporte dos poetas”. O que eu chamaria mais de prática dos vivos e sedentos por auto-conhecimento unida a sabedoria de observas as coisas em outro ritmo (mais natural), pois enquanto caminhamos (não por esporte), temos a oportunidade de andarmos em nossos sentimentos e memórias mais escondidas no inconsciente. Então… andamos e paramos de andar… Entramos em carros e enlouquecemos. O que é isso?
Sutil quando os comportamentos para bem-viver acontecem naturalmente. Escolhemos as coisas de maneira mais interior, não é que estejam desconectadas com o contexto de nossas vidas, mas se escolhemos simplesmente porque nos interessa é bem mais, como posso dizer, visceral. Implica que possa não ser por pressões externas apenas dos conceitos, estereótipos, ideologias ou obrigações éticas (estéticas), mas, antes de tudo, por razões mais íntimas, de nossa mente-espírito (sem grandes explicações).
Uma oportunidade de andar na superfície de nossas peles, as tantas que existimos, um universo de crenças, limitações e explosões que somos.
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Abaixo, seguem trechos de sua contribuição para uma revista de São Paulo:
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“As vantagens do automóvel são claras. É o pedestrianismo que precisa ser defendido…Vinha pensando em como promover o chamado esporte ‘dos poetas’ sem parecer antiquado ou convencido.
Vendi o automóvel e comecei a caminhar por São Paulo há alguns anos.
Não foi com o intuito de economizar dinheiro, nem emissões de carbono, tampouco pelo exercício físico, como se poderia pensar, embora sejam ganhos agradáveis da decisão. Não sou nenhum extremista… não aguentava mais ficar preso no trânsito. Sou impaciente. Sofro de faniquito em veículos paralisados. Alguns homens compram BMWs ou Mercedes ou Ferraris ao enfrentar a meia-idade. Eu vendi o Honda.

A certa altura, passei a chamar o conjunto de atividades realizadas sem automóvel de pedestrianismo. Não chega a ser uma ideologia, mas me serve bem como forma de levar a vida. O pedestre, garanto, aprecia mais a cidade. Enxerga todas as curiosidades de perto. Os tipos. As lojas. Os mercadinhos, padarias, bancas, livrarias, locadoras e restaurantes.

Os atos literários associados ao pedestrianismo romântico são pontuados por rebeldia‘, escreve um estudioso. ‘É a busca de um caminho desconhecido, um desvio do ordinário, o inconformismo topográfico.’
De acordo com os cálculos do poeta inglês Samuel Taylor Coleridge,
…William Wordsworth, o maior de todos os românticos, caminhou quase 300.000 quilômetros ao longo da vida. Os escritores americanos Henry David Thoreau e Walt Whitman eram adeptos. … Entre os contemporâneos, Bill Bryson, autor de ‘Uma Caminhada na Floresta’, é dos bons, capaz de passar dias caminhando nas montanhas (o livro é ótimo, diga-se). Sem falar do meu amigo Reinaldo Moraes, responsável pelo festejado romance ‘Pornopopeia‘. Ele já atravessou a pé a cidade de São Paulo em missão da revista National Geographic Brasil. Levou sete dias.
Se você me permite um palpite, esta será uma das principais tendências do futuro próximo: a redescoberta do prazer de andar a pé. Foi por isso, afinal, que descemos das árvores.”
Quer mais?
Andar a pé – David Thoreu

Dia Mundial Sem Carro