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Só com capacete?

Bem, aqui vai um pequeno desabafo e um alívio para o cotidiano pedalado.

Quando estou com capacete, as pessoas respeitam mais minha situação de ciclista urbano. Talvez seja uma maneira de me visualizarem mais fácil, ou ainda uma perspectiva de responsabilidade que o uso do equipamento passa (como o uso do cinto de segurança ou do capacete na moto, sabe?). Talvez um estereótipo de ciclista. Não sei, mas isso eu notei.

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Ônibus, carros, motos, vans, a maioria respeitam e não dão fechadas perigosas, imprensadas, ao contrário, buzinam avisando que viram, ou depois de ver meu dedão levantado e agradecendo antes mesmo de eles chegarem perto. Tenho tido espaço!

O capacete é importante, reconheço, não apenas para a visualização, mas para a proteção da cachola. Entretanto, convivemos com milhares de pessoas que não o usam. É preciso considerar todos os ciclistas, estejam eles com ou sem capacete. A cultura do uso do capacete precisa estar subjacente ao princípio do respeito e da proteção aos menores do trânsito.

Fica minha impressão

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Megalomanias dos New Reef

Pessoas,
trago esse assunto para mostrar que ainda existe um comportamento de cuidado dos habitantes para o bem das cidades. Em uma diferente escala, elas são nossas casas, extensões de nossas memórias.

Isso é relação pessoa ambiente e despertar, ressurgência de uma cidade saudável do ponto de vista socioambiental (a danada da sustentabilidade). Vamos pensar um pouco! Se aproximadamente 80% das pessoas vivem nas cidades, precisamos, no mínimo atentar para a qualidade delas. Cuidar dessa nossa roupa ou camada em todos os aspectos. Continuemos PREservando e CONservando as matas, mas a cidades são onde vive muitas espécies, dentre elas, os humanos (que nem são tão humanos assim).

Precisamos fazer com que a cidade continue se movendo (nesse caso, não é a mobilidade urbana, mas ao comportamento ameboide de regiões das cidades), e projetos parecidos com o Novo Recife inviabilizam esse movimento envolvente de diversas partes de um complexo sistema funcional. As ruas precisam ser ocupadas para que estejam seguras. Não precisamos de torres de quarenta andares para desfrutarmos a beleza das ruas! Como o vento passaria?! Como as pessoas que não estão nas torres verão o Rio? O rio é alma líquida que corre do lado do cais e precisa ser reconsiderado como veia da cidade, não esquecido e escondido.

Três mega empresas do ramo da construção (Moura Dubeux, Queiroz Galvão e GL) e o setor público (Prefeitura do Recife, IPHAN – de Brasília?) não sabem que um projeto “mágico”  macaqueará uma área do centro da cidade do Recife! Só mexe com um bocado de coisa de patrimônio socioambiental, cultural (material e imaterial, pois mexe no imaginário de quem vive a cidade), econômico (ou deseconômico), mas o que importa é a COPA e o dinheiro no bolso. Balança minhas expectativas de uma cidade bonita. Mexe contigo? Imagina 20, 40, 100 anos na frente (se existe gente que acredita que o mundo não vai acabar). Não veremos o céu das cidades! Ficaremos com torcicolos de olhar pra cima.

Concretizar um projeto desse pode não ser acabar o mundo, mas destruir uma cidade. Para mim, não presta serviços positivos integralmente, mas é uma desconstrução negativa com bônus parcial, para poucos.

Bom que as pessoas estão em cima. Vamos propor projetos envolvendo a população e suas necessidades, integração da mobilidade, centros culturais a céu aberto, parques com muitas árvores (as cidades precisam respirar), pessoas nas ruas. Requisitar sistemas de transportes que dependam menos do carro, construir a cidade numa perspectiva ecológica, sabendo que economia, ecologia e pessoas fazem parte de um contínuum de interações diretas, mas sutil.

O Recife não pode ser destruído!

O dia de não fazer nada

Imaginem um dia de vagabundos! Dia que as pessoas não fazem nada… Esse dia poderia ser o domingão, né?!!?
Tanta coisa legal na televevisão, mulheres dançando, crianças sendo usadas como bonecos, marionetes de um show de horrores, mas nas ruas, nada pra fazer. Vamos aos shoppings comprar nossa felicidade! É mais interessante que respirar o ar DES-condicionado das ruas.

Dia 04/03, último domingo, eu e mais uma dúzia de vagabundos (iluminados) fomos à Praça do Derby (Recife-PE) pedalar, pintar placas (feitas em Vinil), camisas, conversar sobre as cidades, a vida, conhecer novas pessoas, tudo isso com o propósito de lembrar que podemos transformar os espaços públicos em lugares, a partir do momento que damos nossas caras às ruas. Não é fazer a rua ser “minha”, mas proporcionar vida, uma extensão de nossa casa pelos lugares que passo (passamos). Todos nós podemos fazer isso!

As placas das quais falei aantes foram fixadas no Parque Treze de Maio e na Avenida Rosa e Silva (roteiro), depois que duas equipes de pessoas lindas decidiram partir para o abraço nas ruas da cidade do Recife.

By Anderson Freire

Nesse dia, contabilizo 50 Km rodados em bicicleta. Depois de uma descida desde Aldeia (Camaragibe), entrar em contato com essas pessoas e resgatar o ativismo pela mudança me fez muito mais alerta e feliz. Isso, para alguns, é fazer nada ou não ter nada pra fazer… Hein? Já pensaram se todos fizessem um tiquin de coisas desse tipo? Se nos jogássemos nas cidades, colorindo suas ruas, modificando sistemas e contribuindo para um mundo melhor!

Poderíamos sonhar mais com os olhos acordados, visualizando uma realidade mais distorcida, mas pelas nossas próprias mãos. Seria um tal de proporcionar à nossa imaginação mais momentos de muita ludicidez!

Não vamos deixar que o movimento por outras causas se percam no discurso daqueles que pensam que nada estamos fazendo.

Avante! Para cima, para baixo, para frente, para trás, todos os caminhos podem contribuir, contanto que se saia da “mesmice”, do discurso redondo.

 

De onde vem SEU verso?

“Tem mais…”