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Feliz pra cachorro

A vida rodando o mundo.

“Quero ver quem vai me impedir de sorrir?”

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Quadrinhos rasos

Lagoar

Vamo lagoar

ver a lua subir, voar

ser a luz do sol refletida

ser lagoa, mergulhar

nuvens passando, luz-lagoa

dormir na areia, corpo-terra

Bromélias em fulô

Cavalo-do-cão em flor

andando na areia

dunas acima

Cajú

mergulhar lagoa

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Pronto pra erupção

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Caminhos

Dois caminhos. Por um, evitamos. Noutro, aceitamos como quem nota, isto è, num estado de abertura. No primeiro, fechamo-nos em mundos internos, externos e secretos. Buscamos monastérios, grutas, isolamento e votos. Um universo propício, labotarorioso e favorável a nossos objetivos, como a via dos monges e especialistas em geral. Damo-nos ao controle da atmosfera através de filtros e agentes suspensivos.

Na segunda via jogamo-nos na aceitação sistemática que antecede ao julgamento habitual. Pulamos no abismo e buscamos o buscador que se joga. Quem? O segundo caminho é a experiência em tempo real, com ou sem métodos. Monastérios, grutas e isolamentos estão em todos cantos, entrebordas, ao sabor da atenção. E a atmosfera é respirada com maior equanimidade.

Dois caminhos. Num rejeitamos isso e aquilo para o bem disto ou,  noutro, aproximamo-nos sem o julgamento asseverado. No primeiro, a razão. No segundo, a espontaneidade. Dois caminhos que apontam para o mesmo destino: a satisfação através do contentamento.

E quem se contenta? A insatisfação buca o contentamento. A ausência quer o màximo e o mínimo. Os dois caminhos servem aos insatifeitos, aos buscadores, aos incompletos, aos filhos e filhas, aqueles e aquelas que duvidam, que perguntam, que aprendem, que caminham e sobem degraus. A inatisfação busca o contentamento.

As qualidades e a natureza da insatisfação e do contentamento, onde podem ser achadas? Busquem-se no sujeito preocupado com essas questões, pois nele é que habitam. Nesta terra os caminhos servem aos sujeitos mais ou menos aventurosos. A conscienciosidade como medidada da liberdade e do medo.

B

Fluir docemente

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia…

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas…

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser…

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo…
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou…

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio…

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu…

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia…

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende…

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim…

(Hermógenes)

Não canso do Destino